terça-feira, 12 de novembro de 2013

O Brasil é uma piada pro resto do mundo?

Será que o Brasil tá bem na fita ?
       
                  “Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer”, assim começa o trailer do filme da Fox Atomic, “ Turistas “.No filme, seis jovens americanos bronzeados e malhados divertem-se numa praia do Rio de Janeiro. De repente, num passe de mágica, viajam 3.000 km e resurgem no coração da Selva Amazônica, onde são vítimas de um traficantes de órgãos humanos. A história se desenrola, até que no auge do terror, o traficante tupiniquim dispara para uma de suas vítimas:“ Isso é pra vocês, americanos, pagarem o que fazem com o povo brasileiro!”. Na Comic Con 2010, Sylvester Stallone debochou do país em que filmou Os Mercenários, em abril de 2009No painel sobre o filme Os Mercenários, o ator ouviu a pergunta: "Por que rodar no Brasil?". Stallone respondeu em tom de piada: "Lá, você pode atirar nas pessoas, explodir coisas, eles dizem a você muito obrigado, e aqui está um macaco para você levar para casa!” Não poderíamos ter feito o que fizemos em outro lugar. Explodimos muita terra. Parecia assim: todo mundo traz o cachorro pro churrasco e tudo fica bem !” .
                  Algum tempo atrás, os Simpsons visitaram o Rio de Janeiro. Encontraram filas de rumba, ratos coloridos, Homer foi seqüestrado e gangues de macacos atacavam as pessoas nas favelas. Na época em que o episódio de Os Simpsons foi exibido nos Estados Unidos, o governo brasileiro não gostou do modo como o país foi retratado no seriado. Além de cometer vários erros grosseiros (os brasileiros falam com sotaque espanhol, a Amazônia é vizinha do Rio e as pessoas andam em filas de conga pelas ruas), o episódio pinta uma imagem nada desejável do Rio de Janeiro . Agora, o filme “ Velozes e furiosos V “, conseguiu numa frase só, acabar com a já combalida reputação da  polícia do Rio de Janeiro, para o resto do mundo, quando o agente federal Luke Hobbs (Dwayne Johnson), diz á policial brasileira Elena Neves (Elsa Pataky): “ Você deve ser o único policial honesto do Rio de Janeiro! “. Em outra cena , Brian (Paul Walker), diz ao federal dos EUA, em tom debochado :“ Você pensa que isso aqui é a América, isso aqui é o Rio !”. É isso mesmo ! O Rio não faz parte da América.
               Em filme de Hollywood, ladrão de outro país, foge sempre pro Brasil. O pior é que é verdade. Um exemplo triste foi o de Ronald Bigss.  Depois de assaltar o trem pagador na Inglaterra, Bigss fugiu para o Brasil, onde casou convenientemente com uma empregada doméstica brasileira, o que impediu sua extradição. Viveu tranquilamente a vida inteira com o dinheiro roubado e ainda teve um filho que trabalhou na "Turma do Balão Mágico", da Globo, isso fora o monte de nazistas que por aqui fizeram fortuna. O problema é que o governo brasileiro sempre contribuiu para manter o esteriótipo de país sem lei. 
         A lista de filmes com ladrões querendo vir para o Brasil é imensa. Em “Acorrentados” (1958), Tony Curtis e Sidney Poitier são dois prisioneiros que fogem acorrentados um ao outro. Numa cena em que Curtis tenta partir a corrente com uma pedra, ele fala de suas aspirações e conclui: “Irei para o Rio e nunca serei encontrado. Nunca serei encontrado”.  Na comédia “Primavera para Hitler” (1968) há outro exemplo. Um produtor da Broadway está na pindaíba porque há tempos não consegue emplacar um sucesso. Seu guarda-livros sugere-lhe tomar emprestado um milhão de dólares e aplicar só 60 mil na montagem de uma peça, para embolsar a diferença. O produtor agarra-se com ele e, eufórico, se põe a dançar e a tagarelar sobre o golpe. Por fim, diz: 
“Com nosso milhão, nós voamos para o Rio de Janeiro”.        Na escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, Robin Wiliams, ator americano, disse no talk-show de David Letterman: “Os EUA perderam, porque trouxeram Oprah e Michelle Obama, como garotas-propaganda, já o Brasil trouxe 50 stripers e meio quilo de cocaína! “. Se bem que de droga, ele entende. Preso várias vezes por posse de cocaína, Robin Williams estava se drogando com John Belushi, quando este morreu de overdose. Logo depois, a atriz Wanda Sykes (The New Adventures of Old Christine) também criticou a escolha do Rio numa entrevista ao “Jay Leno Show”. Ela perguntou a Leno se o Comitê Olímpico já estava considerando prostituição como esporte, porque no Rio a única competição seria a da escolha da bunda mais bonita. Antes de vir pro Brasil, o DJ Whoo Kid , postou no Twitter :"Estão  dizendo para eu levar um monte de camisinha, afinal o Brasil só é conhecido devido ao sexo, as prostitutas e a Aids !" 
        O
 interessante de toda essa polêmica, é que uma parcela de brasileiros apoia de forma covarde, esse tipo de xenofobia descarada, achando que “tem que falar mal mesmo”. São essas mesmas pessoas que, quando chegam nos EUA e são detidas no aeroporto, obrigadas a ficarem horas nas salas de investigação por suspeita de tráfico, humilhados de todas as formas, apenas pelo fato de serem latinos, mudam rapidinho de opinião sobre os “maravilhosos” estrangeiros. Para constatar que os EUA desprezam os estrangeiros, basta ver o modo com que os mexicanos são tratados nos filmes americanos. É profundamente degradante. Nos filmes, sempre é mostrada uma cidadezinha miserável do México, poeirenta e maltrapilha, com habitantes de dentes podres e vestes imundas. Michael Moore, cineasta americano, é considerado um anti-patriota, porque mostra em seus filmes, a arrogância e síndrome de grandeza de seus conterrâneos e sua desastrada política externa, como no aclamado"Fahrenheit 9/11". No filme " Bridget Jones", a atriz Reneé Zellweger, dispara :"A minha bunda é do tamanho do Brasil". Bela comparação, hein? Já no filme " Gigantes de Aço", Hugh Jackman ao ver seu robô brilhando, parecendo uma árvore de Natal, justifica :"É porque ele veio do Brasil e brasileiro adora ver luzes piscando!". Essa eu juro que não entendi. Maior constrangimento para a culinária brasileira não poderia acontecer do que no filme: " Missão Madrinha de Casamento",  ou “Bridesmaids” em versão original. Após degustarem um típico churrasco brasileiro, o que se vê são cenas de diarréia coletiva, com muito vômito e com direito até de gente defecando na pia do banheiro. Ainda bem que a continuação desse filme já foi descartada pelo diretor, senão a próxima vítima seria o o acarajé baiano. Nossos amigos italianos, tão bem recebidos em nosso país, também deram sua contribuição para esculhambar o Brasil. No filme "Natal no Rio" ( Natale a Rio ), mostra dois amigos italianos  chegando ao Rio, e já sendo roubados no aeroporto. Depois, alugam um conversível e vão em busca de Copacabana. Terminam chegando numa favela, onde são assaltados por garotos do crime, e aí segue um maravilhoso roteiro de desgraças cariocas. Na série "House", várias vezes o médico, assumidamente politicamente incorreto, refere-se a Medicina da América do Sul , como" de terceiro mundo", quando na verdade, os cirurgiões plásticos e cardiologistas  brasileiros são reconhecidos como os melhores do mundo. 
          Das piadas ingênuas até as mais grosseiras, para o público estrangeiro, a imagem cinematográfica do Brasil é de um país de selvagens armados com arcos e flechas numa selva cheia de macacos e sucuris. A grande prova desse esteriótipo foi "The Rundown" ,um filme de ação e aventura, filmado no Brasil, estrelado pelo ator e lutador Dwayne " The Rock" Johnson e co-estrelado por Seann William Scott. Na Inglaterra e em alguns outros países, o filme foi titulado de "Welcome to the Jungle",ou seja "Bem-Vindo à Selva" . Bem sugestivo, não?. O filme mostra um governo paralelo de guerrilheiros dentro da Amazônia.
         Até a cantora Miley Cyrus , em sua turnê no Brasil, chegou por duas vezes, a chutar os ursos de pelúcia que os fãs jogavam no palco, o mesmo acontecendo com Justin Bieber, que trouxe mais seguranças que Barack Obama. Parecia que o garotinho tinha vindo pro Iraque e a menininha estava com medo de pegar algum "ursinho-bomba". Entretanto, indiferente a tudo isso, Tom Cruise é festejado quando vem ao Brasil. Extremamente simpático e acessível, o baixinho faz a festa da imprensa e dos fãs. Já veio sozinho, com a família, com outros atores e diz que "não cansa de vir ao Brasil". É a exceção à regra. Mas ele é um bom moço.  
          A gravação de "Amanhecer", no Rio de Janeiro, tinha tudo para ser o que teríamos de melhor de Hollywood, em matéria de propaganda, nos últimos tempos.  Mostraria o Cristo Redentor, as praias paradisíacas, a paisagem deslumbrante. Novamente a paranóia americana estragou tudo. Durante as filmagens na Lapa, ruas foram bloqueadas, moradores impedidos de entrarem em suas casas, o comércio foi proibido de funcionar. Parecia até morte de traficante. Os moradores e comerciantes da Lapa se revoltaram, tocaram fogo em banheiros químicos e apanharam da polícia. 
            Americano não assiste filme legendado por uma razão muito simples: falta de costume. Pelo fato de produzirem a maior parte dos fiilmes comercializados no mundo, eles exigem que o filme seja dublado. A nossa salvação pra melhorar a imagem do Brasil, está depositada no filme "Rio", de Carlos Saldanha. Respeitado nos EUA, devido à trilogia " A Era do gelo", Saldanha mostra o que o Rio tem de melhor: Praias deslumbrantes, samba e a alegria do carioca. Aliviou um pouco. Pena que o contrabandista de aves do filme, era carioca.  Até quando um estrangeiro quer homenagear o Brasil, nós levamos azar.  Quando Walt Disney fez o filme de animação " Aquarela do Brasil", apresentou ao mundo o personagem Zé Carioca. O problema é que o personagem era um papagaio malandro, preguiçoso, mulherengo e beberrão. Segundo Walt Disney, Zé Carioca era "a cara do povo brasileiro". Muuuito obrigado !!!  
           
 O Ator Taylor Lautner, da saga “Crepúsculo”quando perguntando sobre a turnê na Europa e América do Sul, para divulgar o filme, disse que as fãs brasileiras são extremamente agressivas, e que no hotel onde ele e Kristen Stewart estavam hospedados foi necessário chamar a guarda nacional (a guarda nacional? O cara ficou doido?). Muito deselegante da parte dele, principalmente pelo fato do Brasil representar um enorme filão de consumo desse tipo de besteirol vampiresco americano. Mas, na Internet, você acha centenas de postagens de apoio, pra esse tipo de comportamento ridículo, pois tem muita gente que acha que isso aqui já tá uma droga mesmo, então vamos deixar tudo mundo esculhambar. Gente desse tipo, não contribui pra melhorar o país. 
            É isso mesmo ! Sempre que alguém se propõe a defender o país da difamação imposta por atores e produtores americanos, sempre aparece um imbecil alienado, pra dizer: “ Isso é xenofobia às avessas!”. É o mesmo que dizer que combater o racismo é discriminação ao contrário. Dá pra entender isso?  No dia em que a nossa auto-estima se sobrepor ao consumismo e fizermos um boicote a esses filmes que só degradam a nossa imagem, talvez eles pensem com mais cuidado no que vão dizer lá fora sobre nós. Muitos países já tomam essa atitude. Recentemente, Angelina Jolie foi proibida de filmar na Bósnia, pois o enredo de seu filme distorcia a realidade do país.
 A mesma coisa aconteceu durante a  produção do filme "Operação Valquíria", com Tom Cruise. Ele sofreu críticas da imprensa alemã, durante as filmagens na Alemanha , uma vez que apresentava o personagens de Cruise como um herói, um opositor ao tratamento dado aos judeus pelos nazistas, o que não era verdade. Staunffenberg, o personagem de Cruise, não tinha a menor afeição por judeus. Seu objetivo era derrubar Hitler e  rendendo-se aos aliados, obter poder na Alemanha ocupada. Na época do filme, o governo alemão declarou:  "O Bundeswehr [Forças Armadas Alemãs] tem um interesse especial de que seja feito um retrato sério e autêntico dos fatos ocorridos em 20 de julho de 1944 e da pessoa de Stauffenberg". Episódio semelhante aconteceu como diretor inglês Ridlley Scott . Ele pretendia filmar o interior de uma mesquita-catedral em Córdoba na Argentina e mostrar como se fosse uma igreja espanhola da época das cruzadas. Foi impedido pela administração da mesquita. A Igreja Católica também proibiu a gravação do "Código Da Vinci", na Abadia de Westminster , na Inglaterra e em muitos locais religiosos da Itália, por discordar do teor do filme. É isso que o Brasil tem que fazer com as produções estrangeiras, cujo roteiro implica em distorcer a imagem do país. 
     A revista norte-americana "Variety", descreveu o filme "Tropa de Elite" como "uma monótona celebração da violência gratuita que funciona como um filme de recrutamento de seguidores fascistas". A "Hollywood Repórter" publicou entrevista e reportagem e chamou-o de "um filme constrangedor sobre policiais assassinos". Uma hipocrisia vergonhosa e descarada de uma indústria que já deu um Oscar para Denzel Washington em "Dia de Treinamento", que mostra a rede de corrupção, tráfico de drogas e assassinatos, comandada pelos chefões da polícia de Los Angeles e que em "O Poderoso Chefão", apresentou um monte de mafiosos assassinos como um "família" . A verdade é que os EUA exportaram para o resto do mundo a violência. A imprensa Norte-Americana acusa o "Tropa de Elite"  de incentivar a violência , mas não mencionam em seus artigos que "O clube da Luta", com Brad Pitt , foi o estopim para que o estudante de Medicina Mateus da Costa Meira na noite de 3 de novembro de 1999, armado com uma submetralhadora 9 mm, atirasse contra pessoas que assistiam ao filme.  
              E esse episódio não foi o único em que filmes de Hollywood foram co-autores de tragédias. Em 30 de Março de 1981, John  Hinckley Jr. atirou em Ronad Reagan, presidente dos EUA. Hinckley tinha uma obsessão doentia pela atriz Jodie Foster . Enquanto morava em Hollywood no final da década de 1970, ele assistiu o filme "Taxi Driver" pelo menos umas quinze vezes e sentia uma forte identificação com a personagem principal, Travis Bickle (interpretado por Robert De Niro) , que era um motorista de taxi que perde completamente a noção da realidade e se acha um super-herói. É irresponsabilidade dizer que o filme foi o culpado do atentado, mas sem dúvida foi a centelha que desencadeou o comportamento sociopata de Hinckley. 
            Os filmes brasileiros estão muito longe de serem imorais ou violentos. Na verdade, até pouco tempo eram ingênuos e patéticos, basta lembrar que os campeões de bilheteria eram filmes da Xuxa e dos Trapalhões e que hoje em dia, são as comédias românticas da Globo Filmes. Porém , a lista de filmes extremamente violentos e que mostram policiais americanos corruptos e assassinos é imensa:"16 Quadras", "O poderoso Chefão", "Edison: Poder e corrupção","Os infiltrados" e muitos outros. Recentemente, em Aurora no Colorado (EUA), um maluco disparou contra a multidão que assistia " Batman: O Cavaleiro das Trevas ressurge ", matando 12 pessoas e ferindo mais de 50 outros. O psicopata disse que agiu influenciado pela personalidade do " Joker" ( Coringa). É a realidade imitando o cinema.  
          Jim Morrisson, vocalista do "The Doors", disse numa entrevista:
"A violência faz parte da cultura norte-americana. Nós inventamos o serial-killer, os assassinos em massa e executamos pessoas na cadeira elétrica." Complicado, né?    

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